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Dispositivo para administração de insulina evita, em média,120 injecções/mês
 
Já está disponível em Portugal um inovador dispositivo de administração de insulina, que permite acabar com as múltiplas injecções diárias e reduz as complicações de saúde a longo prazo, uma vez que permite um maior controlo da diabetes. Com a terapia com bomba de insulina, em vez de 4 picadas diárias, basta uma de 3 em 3 dias, o que facilita a vida dos mais de 20 mil jovens portugueses diabéticos tipo 1, e especialmente das crianças, salienta Paulo Madureira, presidente da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal.

Este dispositivo, do tamanho de um pager e com cerca de 100 gramas, administra as doses diárias de insulina de uma forma contínua durante 24 horas, e de um modo programado segundo as necessidades do diabético, sendo a forma de administração de insulina mais próxima da secreção normal do pâncreas.

A bomba de insulina é um pequeno dispositivo electrónico que contém um reservatório com insulina de acção rápida e que ligada a um tubo fino conduz a insulina até um cateter colocado debaixo da pele, que terá de ser substituído de 3 em 3 dias. Desta forma, consoante as refeições, a actividade física, o stress, o diabético pode variar a quantidade de insulina administrada sem necessidade de picadas, explica a Prof. ª Helena Cardoso, especialista em endocrinologia, diabetes e nutrição médica no Hospital de Santo António, no Porto.

A terapia com bomba de insulina permite um melhor controlo da diabetes do que o obtido com múltiplas injecções diárias, uma vez que com a terapia com bomba de insulina são necessárias apenas 10 injecções por mês para controlar a diabetes, em vez das 120 injecções de insulina mensais, em média, utilizadas com caneta ou seringas.

Desta forma, comparativamente com as injecções múltiplas diárias com caneta ou seringas, a terapia com bomba de insulina permite glicemias mais estáveis e próximas da normalidade. Esta melhoria do controlo traduz-se em menor incidência de complicações agudas e crónicas associadas à diabetes como a cegueira, insuficiência renal ou doenças cardiovasculares.

Logo, “o bom controlo da diabetes é a melhor prevenção das complicações da diabetes. Investir no bom controlo da diabetes é também uma forma de poupar recursos pois evitam-se complicações e doenças que, para além do sofrimento humano, obrigam ao gasto de recursos profissionais e económicos muito elevados”, afirma o Dr. Francisco Carrilho, endocrinologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

Rita Santos tem 18 anos e é diabética tipo 1 desde dos 10 meses de idade: “Comecei a usar a terapia com bomba de insulina para conseguir ter um maior controlo da diabetes mas também porque sentia-me cansada de ter de me injectar com insulina sempre que comia. Com a bomba basta carregar num botão, sem necessidade de picadas, o que me dá um maior conforto e mais segurança.” A estudante de medicina comenta ainda que “esta terapia pode revolucionar a vida dos diabéticos mais pequenos que têm medo das injecções, e dos próprios pais” e recorda que até aos seus 5 anos “a minha mãe é que me dava as injecções de insulina o que a obrigou a ajustar a vida dela à minha doença. Com a bomba de insulina a vida fica mais fácil para ambas.”

Este dispositivo está indicado para diabéticos tipo 1 (diabetes insulino-dependente) ou seja, para diabéticos que necessitam de uma terapêutica com insulina para toda a vida para poderem sobreviver. Contrariamente à diabetes tipo 2, a diabetes tipo 1 não está relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados. O doente não tem “culpa” de ser diabético e não há ainda qualquer forma de prevenção da doença.

Assim, com a bomba infusora de insulina a diabetes está melhor controlada e o tratamento da diabetes é mais cómodo para o doente e flexível com as refeições e a actividade física, conclui o Dr. Francisco Carrilho.

Segundo os dados da Federação Internacional da Diabetes, a diabetes afecta 230 milhões de pessoas a nível mundial e prevê-se que este número atinja os 350 milhões em 2025. Todos os dias são diagnosticadas 200 crianças com diabetes tipo 1 e estima-se que, em todo o mundo, mais de 440 mil crianças com menos de 14 anos têm diabetes tipo 1.

Em Portugal existem cerca de 650 mil portugueses diagnosticados com diabetes. Estima-se que 20 mil sejam jovens portugueses com diabetes tipo 1.


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