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Dez
Exposição para cegos «Tocar e Sentir»
Até 10 de Dezembro, 2005
Área: Ciências Sociais e Humanas

Sala de Exposições da Biblioteca da Universidade de Aveiro.

Um grupo de alunas do curso de Terapia da Fala da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (ESSUA), em colaboração com a ACAPO e Civitas-Aveiro, está a organizar uma exposição de pintura táctil e projectada com quadros feitos a pensar nos cegos, da autoria da pintora brasileira Eni D´ Carvalho. A exposição intitulada «Tocar e Sentir» estará patente na Sala de Exposições da Biblioteca da UA, até 10 de Dezembro.
Todos os quadros terão a explicação em braille e todo o espaço estará preparado para os invisuais, apesar da exposição também ter interesse para os que vêem, a quem, aliás, é sugerido que antes de verem a exposição a percorram de olhos vendados. As telas, produzidas com formas, texturas, óleo ou acrílico, cores, relevos, objectos, permitirão ao público portador de deficiência visual perceber a mensagem pelo tacto/contacto.
A autora das obras Eni Vieira de Carvalho Duarte nasceu em Ubá, no estado de Minas Gerais, no Brasil, em 1950. Inicialmente formada em Administração e Ciências Contábeis e pós-graduada em Administração Hospitalar, só em 1996, dá resposta a estímulos que a fascinam desde criança e passa a dedicar-se à arte. Mas, a partir de 98, a artista questiona-se em termos conceptuais, face a problemática dos deficientes visuais, e focaliza a sua obra numa óptica de resposta às necessidades detectadas nesse contexto.
O carácter inovador dessas preocupações reveladas em projectos como novas percepções nas artes plásticas, a que se aliam outros também de âmbito social, como meninos das favelas revelam talentos, consagraram-na com a atribuição da medalha da solidariedade, em 2001 e medalha maçónica de honra ao mérito no «humbral sagrado», em 2002.
Eni D´Carvalho desenvolve todo um trabalho em que as principais preocupações se prendem com a capacidade de determinados tipos de expectadores, neste caso os deficientes visuais, poderem reagir a estímulos pictóricos e desenvolverem uma consciência plástica. Dadas as características dos potenciais admiradores, a obra da artista desenvolve-se em planos tridimensionais, de modo a explorar os sentidos táctil e sinestésico, em simultâneo com o sentido visual.
Estruturadas a partir de representações do real, a artista recorre a linguagens expressionistas, demarcando cada uma das áreas através de texturas diferenciadas. (QUARESMA, Júlio – Portugal, Lisboa)
A exposição «Tocar e Sentir» poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 09h00 e as 17h30, na Sala na Sala Hélène de Beauvoir (Biblioteca da UA) estando prevista a realização de visitas em grupo, desde que com marcação prévia pelo tel.: 234 378 132 ou pela extensão interna 22101 (Dra. Lurdes Ventura).

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