Hoje não escrevo sobre a minha artrite com sentimentos de raiva como já aconteceu. Consigo até sorrir ao verificar como estabeleci com ela uma ligação de alguma cumplicidade…
A artrite vive comigo há cerca de dez anos e depois de passadas muitas fases posso dizer sem nenhuma hesitação que ela faz parte do que eu sou. Provocou muitas lágrimas, muita angústia mas acabou por fazer de mim uma pessoa lutadora. Fez-me encontrar forças, deu-me vontade de prosseguir e não me tirou esta imensa alegria de viver que me caracteriza. Sem dúvida que me fez “envelhecer” antes do tempo. Mas envelhecer não é só ter dificuldades motoras, não é só ter mais limitações. Envelhecer é também ficar mais sábia, mais atenta e mais tolerante.
Nunca fui indiferente à Dor. Tentei sempre entendê-la mesmo quando achava que podia lutar contra ela. Hoje, estou reconciliada com a minha artrite porque percebi que mais útil do que lutar contra ela é lutar ao lado dela. Aprendi a dar valor a pequenas coisas como conseguir abrir uma garrafa de água, assim como aprendi a relativizar as contrariedades do dia-a-dia
Descobri que, quanto mais me queixava com dores, menos capacidade tinha de as controlar. Percebi que partilhar a dor com os que me rodeiam só faz com que sofram, ou pior ainda, que tenham pena de mim, e não me faz melhorar. Acredito que não há ninguém melhor que eu própria para avaliar e controlar a minha dor e recorro por isso a exercícios de controlo e autogestão, alguns bem fáceis: Em fases mais agudas fecho os olhos e imagino um riacho a correr por entre seixos lisos e brilhantes, uma água fresca e transparente que contraste com o calor e edema que sinto no corpo. Imagino-me a embrulhar a dor, muito devagar, num pano branco de estopa para depois a colocar no riacho e ficar a vê-la ir, lentamente, misturada naquela água até a perder de vista. É curioso como este pensamento simples que a minha imaginação criou me ajuda a controlar a dor, a mandá-la embora para longe…
Actualmente fala-se muito na Dor e em todas as suas implicações. A Dor tem de facto muitas vertentes negativas mas para mim a pior é não conseguirmos nunca demonstrar a outra pessoa o modo e a intensidade como dói. É por isso que digo que a dor é fogo que arde sem se ver…
Patrícia Blázquez
Comunicação e Relações Públicas
Colaboradora da
A artrite vive comigo há cerca de dez anos e depois de passadas muitas fases posso dizer sem nenhuma hesitação que ela faz parte do que eu sou. Provocou muitas lágrimas, muita angústia mas acabou por fazer de mim uma pessoa lutadora. Fez-me encontrar forças, deu-me vontade de prosseguir e não me tirou esta imensa alegria de viver que me caracteriza. Sem dúvida que me fez “envelhecer” antes do tempo. Mas envelhecer não é só ter dificuldades motoras, não é só ter mais limitações. Envelhecer é também ficar mais sábia, mais atenta e mais tolerante.
Nunca fui indiferente à Dor. Tentei sempre entendê-la mesmo quando achava que podia lutar contra ela. Hoje, estou reconciliada com a minha artrite porque percebi que mais útil do que lutar contra ela é lutar ao lado dela. Aprendi a dar valor a pequenas coisas como conseguir abrir uma garrafa de água, assim como aprendi a relativizar as contrariedades do dia-a-dia
Descobri que, quanto mais me queixava com dores, menos capacidade tinha de as controlar. Percebi que partilhar a dor com os que me rodeiam só faz com que sofram, ou pior ainda, que tenham pena de mim, e não me faz melhorar. Acredito que não há ninguém melhor que eu própria para avaliar e controlar a minha dor e recorro por isso a exercícios de controlo e autogestão, alguns bem fáceis: Em fases mais agudas fecho os olhos e imagino um riacho a correr por entre seixos lisos e brilhantes, uma água fresca e transparente que contraste com o calor e edema que sinto no corpo. Imagino-me a embrulhar a dor, muito devagar, num pano branco de estopa para depois a colocar no riacho e ficar a vê-la ir, lentamente, misturada naquela água até a perder de vista. É curioso como este pensamento simples que a minha imaginação criou me ajuda a controlar a dor, a mandá-la embora para longe…
Actualmente fala-se muito na Dor e em todas as suas implicações. A Dor tem de facto muitas vertentes negativas mas para mim a pior é não conseguirmos nunca demonstrar a outra pessoa o modo e a intensidade como dói. É por isso que digo que a dor é fogo que arde sem se ver…
Patrícia Blázquez
Comunicação e Relações Públicas
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