A população idosa, pelo processo fisiológico de envelhecimento, tem uma necessidade crescente de cuidados de saúde em geral. Como tal, a saúde oral não é excepção. Com o avançar da idade, a destreza manual da pessoa diminui, afectando assim a eficiência da lavagem dos dentes e boca. Para além disso, o aparecimento de doenças ou a toma de medicamentos que afectam a boca e dentes, são factores que influenciam a nossa saúde oral. Desta forma, e visto que a saúde oral tem repercussões a nível da mastigação, fala e bem-estar geral, é essencial que este seja um cuidado a não descurar quando falamos na saúde dos idosos.
Em relação à população idosa em si, existem diversas alterações que ocorrem na cavidade oral, nomeadamente: maior sensibilidade das mucosas; diminuição da quantidade de saliva, provocada por vezes por medicamentos para outras doenças; a coloração mais amarelada dos doentes; e a diminuição da sensibilidade gustativa dos alimentos.
Desta forma, os problemas mais frequentes junto da população idosa são a perda dentária, as cáries radiculares e as doenças periodontais. A perda dentária (edentulismo) pode estar directamente relacionada com a cultura de medicina dentária curativa (tirando os dentes quando a patologia está instalada e não há outra solução), e não preventiva, e com os poucos acessos que são disponibilizados à população para aceder à saúde oral.
As cáries radiculares prendem-se essencialmente com alterações nas gengivas, decorrentes dos anos, em que a raiz do dente fica exposta, levando não só a um aumento de sensibilidade dentária, como também ao aparecimento de cáries radiculares, uma vez que a raiz não tem a camada de esmalte protectora. As doenças periodontais são também frequentes, afectando os tecidos de suporte dos dentes – gengiva e osso – e podendo levar à perda de dentes, uma vez que com a perda de gengiva e de osso que suportam os dentes na cavidade bucal, estes caem. Esta patologia tem uma carga genética, mas é também agravada por alguns factores, como a toma de determinada medicação para a tensão arterial, o tabaco e a presença de tártaro dentário.
Desta forma, com todas estas alterações decorrentes do envelhecimento, é necessário ter cuidados especiais, nomeadamente:
- Lavar os dentes duas a três vezes por dia, escovando-os em forma circular;
- Usar uma escova de dentes macia, de forma a não magoar as gengivas;
- Utilizar frequentemente o fio dentário, para retirar restos de alimentos que se possam ter alojado entre os dentes e que não tenham saído com a lavagem;
- Utilizar uma pasta de dentes e um elixir com flúor;
- Lavar a sua prótese dentária separada dos dentes, com a mesma frequência (duas a três vezes ao dia);
- Periodicamente, a sua prótese dentária deve ser revista, pois com o passar dos anos (com a perda de gengiva e osso) estas podem tornar-se desadaptadas, podendo causar lesões na mucosa oral.
Em comparação com os restantes países da União Europeia, Portugal tem os piores índices de saúde oral, sobretudo nos extractos mais baixos da população (Orlando Silva – bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas). Em termos estatísticos, em Portugal, os idosos (com mais de 65 anos) têm uma taxa de edentulismo total ou parcial (ausência de dentes) de cerca de 60%. Muitas vezes, a população, especialmente os idosos, descura para segundo plano a saúde oral, dirigindo-se apenas a uma consulta quando existe um problema grave – dor intensa por infecção, cárie dentária, entre outros – numa perspectiva curativa.
Contudo, devemos realizar consultas frequentas de saúde oral, de forma a prevenir o aparecimento de problemas, e não apenas de forma a curá-los.
Em Novembro de 2007, o Governo anunciou novas metas e novos públicos-alvo na área da Saúde Oral, que se enquadram no Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, com o objectivo de diminuir a incidência (número de novos casos) e prevalência (número total de casos existentes) das doenças orais nas crianças, grávidas e idosos.
No que diz respeito ao grupo etário dos idosos, o programa irá abranger até um total inicial de 90.000 pessoas idosas com menos rendimentos (abaixo de 360 euros). Nestes casos, o Governo participa financeiramente em 75% na despesa de aquisição e reparação de próteses dentárias removíveis, até ao limite de 250 euros, para as pessoas idosas beneficiárias do complemento solidário e que sejam utentes do Serviço Nacional de Saúde. Para estes utentes passam agora a estar cobertos os encargos com as consultas médicas necessárias à aplicação de próteses e suas posteriores afinações. O valor máximo das consultas e tratamentos contractualizados para os idosos será de 80 euros distribuídos em dois cheques-dentista por ano.
Desta forma, denotamos uma preocupação crescente do Governo em dar resposta a esta necessidade específica da população não só idosa, mas da população em geral. Contudo, é necessário dar uma continuidade a estas iniciativas. É essencial que, enquanto cidadãos e utentes, também nós tenhamos a noção da importância da saúde oral, não a descurando para segundo plano. Pelo contrário, a saúde oral é uma peça-chave para obtermos a qualidade de vida que desejamos.
Enf. Raquel Epadaneira
Em relação à população idosa em si, existem diversas alterações que ocorrem na cavidade oral, nomeadamente: maior sensibilidade das mucosas; diminuição da quantidade de saliva, provocada por vezes por medicamentos para outras doenças; a coloração mais amarelada dos doentes; e a diminuição da sensibilidade gustativa dos alimentos.
Desta forma, os problemas mais frequentes junto da população idosa são a perda dentária, as cáries radiculares e as doenças periodontais. A perda dentária (edentulismo) pode estar directamente relacionada com a cultura de medicina dentária curativa (tirando os dentes quando a patologia está instalada e não há outra solução), e não preventiva, e com os poucos acessos que são disponibilizados à população para aceder à saúde oral.
As cáries radiculares prendem-se essencialmente com alterações nas gengivas, decorrentes dos anos, em que a raiz do dente fica exposta, levando não só a um aumento de sensibilidade dentária, como também ao aparecimento de cáries radiculares, uma vez que a raiz não tem a camada de esmalte protectora. As doenças periodontais são também frequentes, afectando os tecidos de suporte dos dentes – gengiva e osso – e podendo levar à perda de dentes, uma vez que com a perda de gengiva e de osso que suportam os dentes na cavidade bucal, estes caem. Esta patologia tem uma carga genética, mas é também agravada por alguns factores, como a toma de determinada medicação para a tensão arterial, o tabaco e a presença de tártaro dentário.
Desta forma, com todas estas alterações decorrentes do envelhecimento, é necessário ter cuidados especiais, nomeadamente:
- Lavar os dentes duas a três vezes por dia, escovando-os em forma circular;
- Usar uma escova de dentes macia, de forma a não magoar as gengivas;
- Utilizar frequentemente o fio dentário, para retirar restos de alimentos que se possam ter alojado entre os dentes e que não tenham saído com a lavagem;
- Utilizar uma pasta de dentes e um elixir com flúor;
- Lavar a sua prótese dentária separada dos dentes, com a mesma frequência (duas a três vezes ao dia);
- Periodicamente, a sua prótese dentária deve ser revista, pois com o passar dos anos (com a perda de gengiva e osso) estas podem tornar-se desadaptadas, podendo causar lesões na mucosa oral.
Em comparação com os restantes países da União Europeia, Portugal tem os piores índices de saúde oral, sobretudo nos extractos mais baixos da população (Orlando Silva – bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas). Em termos estatísticos, em Portugal, os idosos (com mais de 65 anos) têm uma taxa de edentulismo total ou parcial (ausência de dentes) de cerca de 60%. Muitas vezes, a população, especialmente os idosos, descura para segundo plano a saúde oral, dirigindo-se apenas a uma consulta quando existe um problema grave – dor intensa por infecção, cárie dentária, entre outros – numa perspectiva curativa.
Contudo, devemos realizar consultas frequentas de saúde oral, de forma a prevenir o aparecimento de problemas, e não apenas de forma a curá-los.
Em Novembro de 2007, o Governo anunciou novas metas e novos públicos-alvo na área da Saúde Oral, que se enquadram no Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, com o objectivo de diminuir a incidência (número de novos casos) e prevalência (número total de casos existentes) das doenças orais nas crianças, grávidas e idosos.
No que diz respeito ao grupo etário dos idosos, o programa irá abranger até um total inicial de 90.000 pessoas idosas com menos rendimentos (abaixo de 360 euros). Nestes casos, o Governo participa financeiramente em 75% na despesa de aquisição e reparação de próteses dentárias removíveis, até ao limite de 250 euros, para as pessoas idosas beneficiárias do complemento solidário e que sejam utentes do Serviço Nacional de Saúde. Para estes utentes passam agora a estar cobertos os encargos com as consultas médicas necessárias à aplicação de próteses e suas posteriores afinações. O valor máximo das consultas e tratamentos contractualizados para os idosos será de 80 euros distribuídos em dois cheques-dentista por ano.
Desta forma, denotamos uma preocupação crescente do Governo em dar resposta a esta necessidade específica da população não só idosa, mas da população em geral. Contudo, é necessário dar uma continuidade a estas iniciativas. É essencial que, enquanto cidadãos e utentes, também nós tenhamos a noção da importância da saúde oral, não a descurando para segundo plano. Pelo contrário, a saúde oral é uma peça-chave para obtermos a qualidade de vida que desejamos.
Enf. Raquel Epadaneira
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