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Para que haja um envelhecimento saudável, é essencial ter uma atitude positiva perante a vida e perante os outros. Contudo, muitos dos problemas que as pessoas idosas enfrentam nesta fase da sua vida pode, muitas vezes, criar alterações emocionais, que podem mesmo levar à depressão.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2003), e relativa à população idosa (com mais de 65 anos), os problemas de saúde mental existem em maior número no sexo feminino. Contudo, estes factos podem não ser efectivamente reais, dado que a OMS relata que os homens procuram menos ajuda junto dos profissionais de saúde do que as mulheres, o que pode esconder as reais estatísticas relativas à existência de depressão nesta população.

Ainda segundo a OMS, apesar de, estatisticamente, as mulheres idosas serem mais afectadas por depressão, os homens têm maior probabilidade de cometer suicídio, o que pode estar relacionado com o facto de, nos países desenvolvidos, as mulheres terem relações sociais e estratégias de coping (formas de ultrapassar os problemas) mais bem estabelecidas que os homens.
É, então, essencial que as famílias estejam atentas e alertas para os sinais e sintomas da depressão, para que possam ajudar o seu familiar o mais eficazmente possível, e encaminhá-lo para os serviços de saúde mais adequados.

Muitas vezes, os próprios idosos e os que os rodeiam negam a existência de problemas de saúde mental, pois sentem vergonha, ou pensam que o sofrimento é algo pelo qual têm de passar, ou porque querem manter o controlo das suas vidas e o facto de recorrer a ajuda é admitir a perda deste controlo.

Frequentemente os sintomas destas alterações do estado emocional, que podem passar por cefaleias (dor de cabeça), insónias, tonturas, ou outras queixas, tornam-se assim despercebidos, e no lugar de requisitar e procurar ajuda no sentido de ultrapassar os problemas a nível psicológico, as pessoas idosas procuram formas de actuar nos sintomas, através da toma de medicação (por exemplo, fármacos para as dores, ou para dormir).

Consequentemente, e devido a todos estes factores, a OMS realça que o número de idosos com necessidade de apoio na saúde mental é largamente subestimado.
De entre os problemas mais comuns na população idosa que originam alterações na saúde mental, encontram-se: a viuvez e a morte de familiares próximos; o stress pelo facto da pessoa idosa ter de assumir o papel de cuidador perante um familiar doente; os medos (da morte, de dificuldades financeiras devido às baixas reformas, ou medo da perda de independência); a mudança de papel dentro da família; o isolamento social. Desta forma, a resposta emocional a estes problemas pode incluir a culpabilização, a solidão, a falta de motivação e a perda do sentido da vida, sentimentos de revolta, de impotência, podendo até incluir a depressão.

A depressão é, assim, dos problemas mais frequentes relativos à saúde mental nos idosos. As doenças crónicas, a dor, a perda de entes significativos, ou a própria frustração consequente das limitações que as pessoas têm na realização das actividades de vida diárias nesta fase da sua vida, são igualmente factores que podem contribuir para o aparecimento desta doença.
A depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil. Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa. No entanto, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda.

Relativamente à depressão, os sintomas podem, por vezes, confundir-se com a demência (OMS, 1995). Os sintomas podem incluir:
- Frases como “já não tenho razão de viver”, ou “sinto-me sem energia”;
- Choro frequente;
- Perda de interesse / prazer na execução da maior parte das actividades;
- Falta de apetite;
- Recusa em tomar a medicação habitual;
- Dormir mais que o habitual;
- Queixas de vários problemas de saúde.
Contudo, por vezes, os sintomas podem ser opostos aos anteriores, traduzindo-se nos seguintes comportamentos: actividade física excessiva, incapacidade em dormir, apetite constante, irritabilidade e hostilidade (OMS, 1995).

Desta forma, esteja alerta para estes possíveis sintomas no seu familiar. Contudo, existem períodos mais susceptíveis, em que devemos estar mais alertas, períodos esses que podem ser caracterizados como situações críticas de vida, ou profundas alterações no modo de vida, tais como a reforma, ou a perda de um familiar próximo / pessoa significativa. A European Alliance against Depression alerta-nos para este facto, enfatizando no entanto que muitos casos de depressão podem ocorrer sem razão nenhuma aparente.

Conclui-se, assim, que devemos estar atentos a possíveis diferenças de comportamento, ou ao possível aparecimento persistente dos sintomas anteriormente mencionados. Consulte o seu médico de família e, caso considerem necessário, podem contactar um médico psiquiatra para esclarecimento do diagnóstico e orientação terapêutica (Direcção Geral de Saúde, 2006).
A depressão é uma doença que deve ser tratada devidamente, junto de profissionais de saúde especializados. Não deixe que a vida do seu familiar perca o sentido.

Enf. Paula Caetano
Mestre em Saúde Pública
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