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Vários estudos realizados em Portugal estimam que cerca de metade da população sofram de alterações da visão, desde diminuição da acuidade visual (diminuição da capacidade de visão) até à cegueira. Dentro das doenças que causam problemas a nível da visão, as cataratas são, efectivamente, das doenças mais frequentes susceptíveis de causarem perda de visão no adulto. A nível mundial, as cataratas são responsáveis por cerca de 48% das pessoas cegas, o que representa 18 milhões de pessoas. Em Portugal, dados estatísticos apontam que cerca de 170.000 pessoas sofrem desta doença (6 em cada 10 pessoas com mais de 60 anos apresentam sinais desta doença), o que se torna um número bastante significativo, representando 17% da população portuguesa (Programa Nacional de Visão – Direcção Geral da Saúde, 2005).

Desta forma, é importante que a população em geral esteja informada acerca do que é a catarata, formas de diagnóstico, o que pode fazer para tratar essa doença e, mais importante que tudo, o que pode fazer ao longo da sua vida para diminuir a sua probabilidade de ocorrência.
Uma catarata é uma opacidade (névoa) no cristalino do olho que dificulta a visão. As cataratas provocam uma perda progressiva e indolor da visão, acabando em perda de visão. Existem vários tipos de cataratas: existem as denominadas senis (relacionadas com o envelhecimento), traumáticas (relacionadas com traumatismos), congénitas (presentes à nascença), e secundárias (na sequência de outras doenças de olhos).

A catarata senil está associada ao processo de envelhecimento, e resulta de uma diminuição de proteínas e da acumulação de água, que desintegra as fibras que constituem o cristalino. Existe alguma certeza de que a exposição a radiações ultravioletas pode contribuir significativamente para a formação da catarata, mas não está demonstrada uma relação causa-efeito. Têm sido realizados estudos quanto a uso de anti-oxidantes, como a toma combinada de vitaminas A, C e E, poder reduzir o risco de catarata senil. Um estudo editado pela revista “The New York Times” revela que a vitamina E e a luteína, dois antioxidantes contidos em alimentos, podem reduzir o risco de catarata em mulheres. Uma pesquisa publicada da edição de janeiro do The Archives of Ophthalmology estudou mais de 35 mil mulheres, que foram acompanhadas por aproximadamente 10 anos, tendo sido concluído que quanto mais vitamina E e luteína forem utilizadas por mulheres, menor é a probabilidade de ocorrer catarata.
Óleos vegetais, nozes, verduras e grãos integrais são fontes de vitamina E, e a luteína pode ser encontrados em várias frutas, milho, repolho, espinafre e outros vegetais. Contudo, o condutor do estudo afirmou que este fora baseado apenas na observação, não existindo testes sólidos que prove que qualquer nutriente específico previna doenças oculares.
O traumatismo do olho é a segunda causa identificável mais comum de cataratas, dado que a transparência do cristalino pode ser destruída por ferida perfurante ou contusão.
Para além disso, as cataratas podem ocorrer na sequência de doenças dos olhos, ou outras doenças sistémicas, como por exemplo, a diebetes mellitus.

Temos assim, como factores de risco – factores que favorecem o aparecimento de cataratas, os seguintes: a idade (o aparecimento aumenta após os 65 anos); o sexo (as cataratas são ligeiramente mais comuns nas mulheres); a exposição a luz ultravioleta (mais comum em pessoas que vivem em climas quentes, e em pessoas com actividade maioritariamente ao ar livre); exposição a radiações elevada; efeitos medicamentosos (uso de corticosteróides, e certos agentes quimioterapêuticos); diabetes mellitus mal controlada; e traumatismo ocular.

O primeiro sintoma de catarata é a perda gradual da visão. Esta situação deve-se ao facto de que toda a luz que entra no olho deve passar pelo cristalino, pelo que qualquer parte do mesmo que bloqueie, distorça ou difunda a luz pode alterar a visão. Desta forma, o grau de deterioração da visão depende da localização da catarata e da extensão da opacidade.

Para além disso, quando o olho se encontra frente à luz intensa, a nossa pupila contrai, estreitando o cone de luz que entra no olho, de modo que a luz não consegue passar facilmente através da catarata. Por essa razão, outro sintoma que pode ocorrer às pessoas com cataratas é conseguir ver melhor na penumbra (altura em que a pupila está dilatada e mais alargada), e não com luzes fortes.

O diagnóstico desta doença é feito por observação directa do cristalino pelo médico oftalmologista.
O tratamento é, na maior parte das vezes, realizado de forma cirúrgica, removendo a parte do cristalino que se encontra opaca e colocando uma nova “lente”, um “cristalino artificial” dentro do globo ocular, em substituição do anterior (lente intra-ocular). Desta forma, dá-se a recuperação visual.

Existem, contudo, alguns cuidados, que podem e devem ser adoptados como regras de segurança para os olhos, e que reduzem a probabilidade de ocorrência de doenças nos olhos, de entre estas as cataratas:
- Liberte lentamente o vapor de fornos, panelas, panelas-de-pressão e sacos usados no microondas;
- Coloque uma viseira de protecção sempre que execute trabalhos de risco;
- Diminua a exposição ao sol entre 10h e 16h, quando a luz solar é mais forte;
- Use um chapéu com borda branca quando sair ao sol (a cor branca reflecte a luz);
- Diminuía a sua exposição ao tabaco. O fumo do tabaco aumenta a quantidade de danos oxidativos sofridos pelos seus olhos;
- Caso tenha diabetes, mantenha a sua glicose sanguínea controlada. Altas taxas de glicose sanguínea podem danificar o cristalino do olho;
- Tenha uma dieta rica em frutas, verduras e legumes. Tente comer de cinco a nove porções por dia e lembre-se de incluir as frutas, verduras e legumes ricos em vitaminas;
- Consulte um oftalmologista regularmente para que a detecção aconteça nos estágios iniciais da doença.
Cuide da sua visão. É uma parte importante do nosso corpo, faz parte da nossa saúde. Olhe pelos seus olhos, e contemple o mundo…

Enf. Raquel Espadaneira
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