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A osteoporose é a doença óssea que ocorre mais frequentemente na população idosa. Apesar da osteoporose ser mais frequente nas mulheres depois da menopausa e nos homens e mulheres idosos (com mais de 65 anos) nem todas estas pessoas vão ter a doença. Há algumas que, por apresentarem factores de risco (condições que favorecem o aparecimento da doença) têm maior probabilidade de vir a sofrer de osteoporose, factores esses que estão relacionados com estilos de vida pouco saudáveis e podem ser modificados, enquanto outros não poderão ser alterados.

Após a menopausa, cerca de uma em cada três mulheres e um em cada oito homens com mais de 50 anos sofrem desta doença. Para além disso, a osteoporose, que provoca diminuição da resistência óssea, condiciona o aparecimento de fracturas por traumatismos (quedas, por exemplo), causando anualmente, em Portugal, 40 mil fracturas, das quais 8.500 do fémur, fracturas estas que têm níveis de morbilidade e mortalidade elevados (Direcção Geral da Saúde, 2005). A osteoporose é hoje um importante problema de saúde pública nos países desenvolvidos e tem uma clara e\ segura tendência para se agravar. Desta forma, é uma doença à qual devemos direccionar a nossa atenção, no sentido de prevenir o seu aparecimento.

A osteoporose é uma doença esquelética sistémica que se caracteriza pela diminuição da massa óssea e por uma alteração da qualidade da estrutura do osso, levando a uma diminuição da resistência óssea e ao consequente aumento do risco de fracturas. Como doença esquelética sistémica a osteoporose pode originar fracturas em qualquer osso mas as mais frequentes são as das vértebras, da extremidade do rádio (antebraço) e do fémur (perna).

Os principais sintomas e sinais da osteoporose são: dores, as deformações ósseas, perda de altura superior a 2,5 cm, aparecimento de corcunda ou ombros descaídos para a frente, e as fracturas. As dores ósseas localizam-se predominantemente ao nível da coluna vertebral, agravam-se com os movimentos e com os esforços físicos, diminuindo com o repouso. As deformações traduzem-se num exagero das curvaturas fisiológicas da coluna vertebral, em particular por aumentos da cifose dorsal e da lordose lombar.

Contudo, a osteoporose não é uma fatalidade. Existem, actualmente, meios susceptíveis de a evitar e de a tratar. Sabe-se que têm maior risco de vir a sofrer de osteoporose: as mulheres de raça branca e, ainda, as mais magras e as de pequena estatura; os indivíduos idosos; os indivíduos com certos factores genéticos (sabe-se, por exemplo, que nos Estados Unidos da América e na África do Sul as mulheres de raça branca têm 6 vezes mais fracturas vertebrais do que as mulheres negras); os indivíduos que levam uma vida sedentária e fazem pouco exercício físico; os indivíduos magros.

Contudo, existem determinados factores de risco, que favorecem o aparecimento da osteoporose, nomeadamente: dietas pobres em cálcio (leite, queijo, iogurte) e ricos em proteínas; o consumo elevado de álcool e cafeína (aumenta a perda de cálcio pela urina e diminui a absorção intestinal deste mineral); a ooforectomia (extracção cirúrgica dos ovários); a menopausa precoce; o hábito de fumar; a insuficiência renal; e a toma de determinados fármacos.

O que devemos então fazer para prevenir a osteoporose? Acima de tudo, devemos adoptar um estilo de vida saudável, com uma alimentação rica em cálcio e vitamina D, praticando regularmente exercício físico.
Relativamente à alimentação, uma maneira ideal de aumentar a quantidade de cálcio de qualquer refeição é acompanhá-la com um copo de leite. Pode também adicionar leite às sopas cremosas: torna-as mais saborosas e ricas em cálcio. Para além disse, saiba que as sopas portuguesas ricas em cálcio são: o caldo verde, sopa de nabiças, sopa de espinafres e sopa de agriões. Contudo, a vitamina D também é importante para ter ossos saudáveis. Parte da vitamina D de que necessitamos é fabricada pela nossa pele através da exposição solar (30 minutos diários de exposição solar é suficinte) e outra parte provêm da alimentação (por exemplo, lacticínios).

Uma vida activa e a prática regular de exercício físico são também muito importantes para a saúde dos ossos, em todas as fases da vida. Mesmo que já tenha osteoporose ou tenha sofrido uma fractura deve fazer exercício físico e evitar ter uma vida muito sedentária. O exercício vai ajuda a manter a massa óssea e reduzir o risco de fractura, melhorar a força muscular e permitir uma melhor postura, melhorar o equilíbrio e diminuir o risco de queda , reduzir as dores crónicas da coluna e prevenir ou diminuir as deformações da coluna provocadas pela osteoporose. No entanto, nem todos os exercícios são bons para quem tem osteoporose e não deve começar qualquer programa sem falar com os profissionais de saúde. Regra geral, não deve fazer mais que três sessões de exercício por semana, com duração de 30 minutos cada uma.

Contudo, a principal mensagem é a de que, como nos diz a Associação Nacional contra a Osteoporose, “Nunca é cedo demais para prevenir e nunca é tarde demais para tratar”. Se tem osteoporose, seja seguido pelos serviços de saúde e consulte o seu médico. O tratamento da osteoporose tem como principal objectivo reduzir as fracturas. Tenha uma atitude pró-activa. Só assim conseguirá envelhecer o melhor possível.

Enfª Leonor Monteiro
Enfermeira Especialista de Reabilitação
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