15
Dez
Foram precisos 25 dias para que os médicos descobrissem que Eugénia tinha sarampo. É que os casos da doença são tão raros que os clínicos já não identificam facilmente a doença. Com apenas 14 meses, Eugénia foi a única criança a ter sarampo este ano. Foi, aliás, o primeiro caso da doença em portugueses nos últimos quatro anos, avança o Diário de Notícias.

De acordo com a Direcção-Geral da Saúde (DGS), Portugal tem menos de um caso de sarampo por milhão de habitantes desde 2002, o que significa que já cumpre a meta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) estipulou para 2010. De acordo com Judite Catarino, da DGS, em 2006 e 2007 "não houve casos de sarampo e em 2008 houve um caso detectado em Portugal numa menina inglesa", o que significa que foi importado, avança o DN.

O combate ao sarampo foi assumido pela maioria dos governos europeus. Porém, a doença ainda está longe de ser eliminada no continente, uma vez que o conjunto dos 53 países que pertencem à região regista ainda uma média de 7,6 casos por milhão, diz a OMS. Será impossível conseguirem, em conjunto, atingir aquele objectivo em 2010, admitiu ontem Rebecca Martin, da OMS, na primeira conferência sobre imunização do Centro Europeu de Controlo de Doenças. Isto porque 30 dos 53 países (57%) terão uma média superior de casos.

A vacinação tem sido um instrumento fundamental para eliminar o sarampo e a rubéola e Portugal está entre os países com uma taxa de cobertura de imunização ao sarampo superior a 95%. Ou seja, apenas ficarão de fora da vacinação cinco mil crianças por ano, escreve o jornal.

No único caso conhecido em 2009, numa criança com 14 meses, houve contágio por parte de uma amiga da mãe, que tinha estado em África. O facto de ser uma doença tão pouco comum tornou mais complicada a sua identificação. "E a bebé ainda não tinha idade para se vacinar", explica a subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas.

A vacinação começa a ser "vítima do seu próprio sucesso", argumenta Rebecca Martin. Um diagnóstico apoiado por muitos dos especialistas presentes na primeira conferência.

Para a responsável da OMS, o facto de os programas de vacinação terem conseguido eliminar as grandes epidemias de sarampo e de as pessoas já não verem estas doenças e as suas consequências está a levar muitos pais a perder interesse na vacina. E não são apenas os pais. Convencer governos a investir no reforço da vacinação contra o sarampo é cada vez mais difícil, sobretudo quando outras prioridades de saúde publica, como a gripe, assumem tanto protagonismo, alerta.

Aliás, na Europa, apenas 20% do casos são importados de fora do continente, e já se "exporta" a doença: para países que já não a têm (como os EUA) e para países onde o sarampo causa muitos problemas, como os africanos. Em 2008, 93% dos casos foram detectados na Europa Ocidental, nomeadamente na Áustria, França, Alemanha, Itália, Israel, Espanha, Suíça e Reino Unido.

É sobretudo difícil chegar aos grupos mais isolados, quer pela suas condições sociais e económicas e mobilidade, como imigrantes e comunidade cigana, explicou ainda o especialista romeno Mircea Popa.

E em alguns países, os movimentos antivacinação estão mesmo a ganhar terreno, alerta, sendo a percepção do público um aspecto a trabalhar. Para Mircea Popa, essa tendência está a ser óbvia na campanha de vacinação contra a gripe A, no seu país.

Por outro lado, Rebecca Martin diz ser necessário insistir, uma vez que a América do Norte tinha previsto atingir o objectivo de eliminar o sarampo e rubéola em 2000 e apesar de ter falhado, conseguiu fazê-lo dois anos depois.

Em todo o mundo há apenas uma doença erradicada, que é a varíola.A poliomielite está eliminada em Portugal e em mais 52 países europeus. Em Portugal também não há difteria em pessoas nascidas no território, rubéola congénita e tétano neonatal (que é adquirido durante o nascimento).
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