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Dez
 
Jogos médicos ajudam nos tratamentos de saúde e de fisioterapia
 
Jogos voltados para o sector da saúde, como auxiliares em tratamentos diversos e em sessões de fisioterapia, têm ganho espaço no mercado, transformando-se numa importante ferramenta para a recuperação de pacientes. E jogos produzidos em Santa Catarina já começarão a ser testados em clínicas de Florianópolis a partir desta semana.

Antes considerados verdadeiros "inimigos" para o desenvolvimento das crianças e até mesmo como brinquedos "prejudiciais" à saúde, os jogos estão a conseguir mostrar a sua outra faceta. Os jogos temáticos, ou chamados de "sérios" pelos próprios especialistas, já começam inclusive a ser produzidos no Brasil. Uma empresa com sede no Polo de Games de Santa Catarina é a primeira do País a desenvolver jogos específicos para a recuperação de vítimas de acidentes ou com limitações físicas nos membros inferiores e superiores.

Os catarinenses desenvolveram uma plataforma específica para a utilização conjunta com fisioterapeutas. O jogo faz com que os pacientes realizem os movimentos típicos do tratamento de uma maneira mais divertida e lúdica. No desenho, os movimentos realizados para encher um balão ou trabalhar numa máquina de gelados são reproduzidos através dos joysticks usados pelo Wii. O nível de limitação física do paciente pode ser calibrado antes do jogo ter início.

A Fisiogames, empresa responsável pelos jogos, está localizada dentro de uma incubadora mantida pelo governo do Estado que tem como objectivo desenvolver o segmento de jogos electrônicos. O grupo conta, além de programadores e designers, com especialistas na área da psicologia e da fisioterapia. "Existem jogos que são adaptados para o uso em terapias médicas", explica o director Daniel San Martin. "No nosso caso, estamos a produzir jogos com a finalidade específica de atender aos profissionais da medicina".

De acordo com o gamedesigner Alessandro Vieira dos Reis, que também é formado em Psicologia, os jogos eletrônicos de qualquer tipo são capazes de elevar a autoestima das pessoas, distrair e oferecer diversão. Por isso, deveriam ser desenvolvidos, com a ajuda de profissionais do sector, para atender as demandas clínicas. "Jogos podem ser usados no contexto clínico como forma de sensibilizar e informar as pessoas sobre as doenças e tratamentos. É uma forma de humanizar o tratamento através da tecnologia", disse. "Isso traz efeitos sensíveis nos aspectos emocionais do paciente, aumenta a aderência ao tratamento e tem um efeito psicológico muito positivo".

Reis conta o caso de investigadores americanos que desenvolveram um jogo de tiro para crianças portadoras de cancro. No jogo, as crianças entram no corpo humano e destroem as células doentes. "Depois de começarem a usar o jogo, essas crianças começaram a conversar mais sobre o cancro e a se sentirem mais fortes para lutar contra a doença", disse. "Existem exemplos fartamente documentados de como os jogos podem ser usados para auxiliar tratamentos de saúde".

Os jogos específicos para a saúde já são utilizados com muita repercussão na América do Norte. A Universidade McGill, no Canadá, lançou pela web três jogos desenvolvidos para trabalhar a autoestima de pacientes. O tema ganhou uma série em estações de TV locais.

Em todo o mundo, existem cerca de 300 jogos desenvolvidos para a utilização por profissionais médicos em várias áreas. Exemplos são o Brain Games, usados para desenvolver a atenção e habilidades psico-motoras e o Exergames, usados inclusive com o WiiFit.

Fabrício Escandiuzzi
Direto de Florianópolis
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