17
Fev
Cientistas estão mais perto de desenvolver novas terapias para a diabetes e a obesidade, após terem descoberto o papel importante de uma proteína nos mecanismos de produção de energia das células.

Sirtuina 6 ou SIRT6 faz parte da família das proteínas Sirtuinas, que se encontram nos mais diversos seres vivos, das quais a mais estudada até agora em humanos é a Sirtuina 1 (SIRT1) como tendo um papel fundamental no combate ao envelhecimento.

Agora, cientistas norte-americanos apresentam, na edição de 22 de Janeiro, da publicação científica Cell, um estudo que revela que a SIRT6 tem um papel fundamental na resposta a vários tipos de stress, que pode ajudar a regular os níveis de açúcar no sangue e a queimar a gordura que se encontra em excesso no corpo.

Características que, segundo os cientistas, podem levar a que esta proteína tenha um papel fundamental "em novas abordagens terapêuticas contra doenças metabólicas como a diabetes e a obesidade".

Os cientistas explicam que a SIRT6 funciona como um regulador ao ajudar as células a alternarem entre as duas possíveis formas de produzir energia, ou seja, entre o metabolismo oxidativo, a forma mais comum, e a glicolise anaeróbica, a forma menos comum e que é accionada quando alguns nutrientes se encontram em pouca quantidade.

Em estudos anteriores os cientistas estudaram o comportamento de ratinhos de laboratório com ausência da SIRT6 e verificaram que apesar dos animais parecerem normais à nascença, poucas semanas depois morreram por hipoglicémia (pouco açúcar no sangue).

Na altura, os cientistas não conseguiram explicar a relação entre a ausência da proteína SIRT6 e a hipoglicémia, mas agora revelam que a SIRT6 funciona juntamente com uma proteína de resposta ao stress – a Hif1alpha – de forma a controlar os factores que levam as células a alterarem do mecanismo oxidativo de produção de energia para o mecanismo de glicose anaeróbica.

Os cientistas revelam, que chegaram à conclusão que a SIRT6 funciona como um mecanismo de segurança da Hif1alpha, de forma a evitar que esta altera o mecanismo de produção de energia das células, quando não é suposto que tal aconteça.

Com base nestes dados, os cientistas indicam que os ratinhos de laboratório sem a SIRT6 morreram de hipoglicémia porque na ausência, ou mau funcionamento, da SIRT6, a Hif1alpha activa a glicolise anaeróbica que, de acordo com os investigadores, vai desligar a mitocôndria nas células (onde ocorre a produção de energia) e fazer com que o organismo recorra às reservas de energia até que se esgotem.

Com base neste pressuposto, os cientistas acreditam que a SIRT6 pode ser o alvo para novas terapêuticas, já que ao diminuir-se a actividade desta proteína poder-se-á ajudar os diabéticos a diminuir os níveis de açúcar no sangue e as pessoas obesas a transformarem a gordura em energia, tal como aconteceu com os ratinhos no estudo.
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