13
Dez
Investigadores da Universidade Riverside, Califórnia - EUA, identificaram componentes no sumo de romã que podem inibir os movimento das células cancerosas e o desenvolvimento de metástase do cancro da próstata. E de acordo com a investigadora, Manuela Martins-Green, a descoberta pode ainda ter impacto no tratamento de outros tipos de cancro.

Quando ocorre reincidência do cancro da próstata num paciente, depois dos tratamentos convencionais como a cirurgia e/ou radiação, geralmente o próximo passo é a supressão da hormona masculina testosterona, tratamento que tem como objectivo inibir o crescimento das células cancerosas, já que essa hormona é responsável pelo seu crescimento.

A investigação baseou-se na aplicação do sumo de romã em células de cancro da próstata cultivadas em laboratório. No entanto, com o passar do tempo, o cancro desenvolve formas de resistir ao tratamento, transformando-se num cancro muito mais agressivo e as suas metástases podem chegar a ataca a medula óssea, pulmões, nódulos linfáticos, o que, geralmente, provoca a morte do paciente.

Nesta investigação, o sumo da romã foi aplicado em células cancerosa, cultivadas em laboratório, já resistentes à testosterona (quanto mais resistente uma célula cancerosa é à testosterona, maior é a sua tendência ao desenvolvimento de metástase).

Os investigadores descobriram que as células tratadas com o sumo de romã, que não morreram com o tratamento, demonstraram uma maior adesão, o que significa que menos células se separavam, e uma diminuição da movimentação celular.

Seguidamente, os investigadores identificaram os grupos activos do ingrediente no sumo de romã que tiveram impacto molecular na adesão das células e na migração de células cancerosas no cancro de próstata já em estado de metástase.

De acordo com Manuela Martins-Green, “depois de identificá-los, agora podemos modificar os componentes inibidores do cancro no sumo de romã para melhorar as suas funções e fazer com que sejam mais eficazes na prevenção de metástases do cancro de próstata, levando a terapias com fármacos mais eficazes”.


Outros tipos de cancro:

Segundo a investigadora, a descoberta pode ter impacto no tratamento de outros tipos de cancro. “Devido ao facto dos genes e proteínas envolvidas no movimento das células do cancro de próstata serem essencialmente os mesmos que os envolvidos no movimento de células em outros tipos de cancro. Os mesmos componentes modificados do sumo poderão ter um impacto muito mais amplo no tratamento do cancro”.

Manuela Martins-Green explicou ainda que uma proteína importante produzida na medula óssea leva as células cancerosas a moverem-se para a medula, onde poderão desenvolver novos tumores.

“Mostrou-se que o sumo de romã inibe a função dessa proteína, por isso o sumo tem o potencial de evitar a metástase das células do cancro de próstata para a medula”.
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