10
Fev

Taxa de sobrevivência no primeiro ano após um transplante cardíaco (TC) é de 68 por cento, demonstra um estudo realizado por membros do Centro de Cirurgia Cardiotorácica/ Unidade de investigação e Desenvolvimento Cardiovascular do Porto, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), e do Serviço de cardiologia do hospital São João. Segundo o estudo, nos cinco anos após o transplante, esta taxa situa-se nos 59 por cento, bem como nos 10 anos após o transplante.

Conforme explica a FMUP, em comunicado, a transplantação cardíaca é o procedimento terapêutico que tem maior impacto sobre a evolução natural da insuficiência cardíaca (IC) nos seus estados mais avançados, mas é apenas usada em indivíduos com idade inferior a 60 anos, com IC grave (apesar do uso da terapêutica máxima), que não tenham alternativa e que não apresentem contra-indicações.

Segundo a FMUP, durante um período de 15 anos (de Fevereiro de 1987 a Dezembro de 2002, o Centro de Cirurgia Cardiotorácica/ Unidade de investigação e Desenvolvimento Cardiovascular do Porto transplantou 32 doentes, dos 21 aos 53 anos. De entre os transplantados, 59 por cento eram homens dos 35 aos 49 anos. Durante o estudo, faleceram 13 doentes, sendo cinco (16 por cento) não resistiram ao mês pós-operatório, tendo sido a principal causa de morte a falência hemodinâmica.

As causas de mortalidade tardia (após o primeiro mês pós-operatório) foram sobretudo doença cardiovascular do enxerto, rejeição e infecção.

Segundo os registos do “The International Society of Heart and Lung Transplantation” (ISHLT) a taxa de sobrevivência actuarial global é de 80 por cento no primeiro ano, 66 por cento no quinto e 47 por cento no décimo. Assim, verificou-se que a sobrevivência pós-transplante cardíaco, em Portugal, é inferior no primeiro ano e no quinto, mas superior no décimo ano. Além disso, segundo o estudo, o Centro apresenta melhores índices de sobrevivência nos primeiros 30 dias após a operação. O tempo médio de internamento registado chegou aos 28 dias.

Os doentes com IC grave e com muito mau prognóstico, transplantados naquele Centro, beneficiaram de uma melhoria assinalável da sua capacidade funcional e qualidade de vida e tiveram uma sobrevivência comparável à dos registos internacionais. Dos doentes transplantados, 30 por cento estavam reformados, 60 por cento retomaram a sua actividade laboral, e só 10 por cento abandonaram o seu trabalho.

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