Aos 14 anos e vítima de uma paralisia cerebral que traz desde nascença, Luana Pereira trava uma luta pessoal para romper os muitos limites impostos pela deficiência. E sabe qual é um dos principais instrumentos usados nessa batalha de Luana? O cavalo. Longe de ser apenas um bonito animal, em que a menina acaricia e admira, o tratamento de Luana tem no cavalo um forte aliado.
Na verdade, o que Luana faz é a equoterapia, como o próprio nome já diz, uma terapia feita com o cavalo. O trabalho é desenvolvido por uma equipa multidisciplinar que trabalha voltada para os estímulos e sentidos desenvolvidos pelo cavalo nas pessoas.
O animal funciona como um motivador, que proporciona aos praticantes avanços físicos e psicológicos. Os especialistas apontam essa técnica também como um instrumento para eliminar tensões, ansiedade e medo, gerando a auto-confiança.
Um dos maiores ganhos com a equoterapia é o controle postural. Mas essa técnica também tem se mostrado eficaz no desenvolvimento da linguagem, fala, aprendizagem e marcha. Inclusive, ela também funciona para melhorar a respiração, mastigação e deglutição.
A fonoaudióloga Débora Pousa explica que a marcha do cavalo é muito parecida com a do ser humano, “O cavalo tem 8 graus de rotação a mais no quadril. E por ter essa marcha parecida é que ele (o animal) funciona como estímulo”, explica.
Ela cita que a equoterapia é recomendada para pacientes com problemas neurológicos, como os que sofreram Acidente Vascular Cerebral, traumatismo crânio-encefálico, paralisia cerebral e distúrbio da fala, por exemplo.
Para tratar desses pacientes especiais há uma equipa também especial, integrada por fisioterapeutas, fonoaudióloga, psicóloga, psicopedagoga e o auxiliar guia, que trabalha diretamente com o cavalo.
Débora Pousa explica que após uma avaliação do praticante - como é chamada a pessoa que faz equoterapia - a equipa multidisciplinar define que tipo de tratamento será dispensado àquela pessoa. “O ambiente da equoterapia é muito propício para pessoas com diversos problemas. Recebemos praticantes aqui com disfunção na deglutição, síndrome de down, por exemplo”, comenta.
Mas não é um cavalo qualquer que se torna aliado no tratamento destas pessoas especiais. A fonoaudióloga explica que no Centro de Equoterapia há quatro cavalos, com marchas diferentes. E é pela marcha do animal e o problema apresentado pelo praticante que a equipa aponta o cavalo adequado para cada pessoa.
Débora Pousa explica que o cavalo é um estímulo para a pessoa. “Na cavalgada é enviada uma mensagem para o cérebro da pessoa, isso desenvolve o equilíbrio, o controle do tronco.”
A equoterapia não se resume apenas à cavalgada. Débora Pousa ratifica que a técnica inclui também o cuidado com o cavalo, como a alimentação, escovar o animal. É nesse momento que a criança, por mais limitada que seja pela sua deficiência, sente-se capaz de fazer algo.
Os benefícios trazidos pela atividade
A psicóloga Ana Cláudia Trigueiro, uma das integrantes da equipa da equoterapia, chama a atenção para os estímulos desenvolvidos na criança através desse trabalho. “É uma atividade lúdica que traz muitos resultados”, comenta a profissional.
Ela lembra que muitas das crianças especiais, antes de chegar no centro de Equoterapia, só tinham visto cavalo nas revistas e nem de longe pensavam que um dia poder montar o animal, devido às próprias limitações.
Mas o trabalho da equipa disciplinar mostra o contrário: traz o cavalo para perto da criança e mostra que o desafio de montar e andar no animal pode ser vencido. Ana Cláudia Trigueiro lembra que nas primeiras sessões de equoterapia há diversas reações dos pacientes. Alguns logo se aproximam dos cavalos, outros são mais resistentes.
Ana Cláudia Trigueiro destaca a equoterapia como um importante instrumento para as pessoas portadoras de necessidades especiais descobrirem suas potencialidades. “Aqui recebemos pacientes com problemas físicos fortes, parada cerebral.
Mãe fala sobre resultados do tratamento
Os resultados da equoterapia estão estampados nas evoluções de cada praticante. Gildeci Pereira do Nascimento abre um sorriso e mostra satisfação ao falar da filha Luana, 14 anos, vítima de paralisia cerebral.
A menina faz equoterapia há um ano e meio. “Ela adora a terapia. Melhorou a coordenação motora e emocional”, atesta a mãe, citando também que Luana passou a ter mais controle da saliva.
Gildeci Pereira iniciou a filha na equoterapia depois que conheceu a técnica através do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Potiguar, onde a menina é atendida. Aliás, a instituição tem um convênio com o Centro de Equoterapia, onde os alunos fazem estágio.
As sessões de equoterapia duram cerca de 45 minutos. O tempo não fica restrito apenas à montaria de cavalo. Mas o praticante faz desde gestos simples como alimentar o animal até ajudar na preparação da montaria. Muito mais do que uma tarefa simples, são ações que também têm funções especiais. “Elas demonstram para os praticantes que eles são capazes de fazer algo”, comenta Débora Pousa, fonoaudióloga.
Equoterapia ajuda crianças especiais
TERAPIA - Pacientes recebem estímulos do animal durante marcha
21/05/2006 - Tribuna do Norte
Anna Ruth Dantas - Repórter
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