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A Cercipóvoa tem um défice mensal de 35 mil euros que compromete o apoio a duas centenas de crianças e jovens portadores de deficiência. A instituição da Póvoa de Santa Iria apela à ajuda das empresas e dos mecenas.

A Cercipóvoa, uma instituição de apoio a pessoas com deficiência, na Póvoa de Santa Iria, Vila Franca de Xira, vai pedir ajuda às empresas da região para fazer face às graves dificuldades financeiras que atravessa.

A Cooperativa de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas apresenta mensalmente um défice de 35 mil euros, segundo apurou o nosso jornal. Números que tiram o sono ao presidente da direcção da instituição, Júlio Torres dos Santos. “Alguém tem que pagar isto. Não podemos pôr estas pessoas na rua”, diz preocupado o responsável da instituição que acolhe 200 pessoas com deficiência de vários concelhos.

O grosso dos utentes reside em Vila Franca de Xira, mas a instituição acolhe também alunos oriundos de outros dez concelhos – Santarém, Benavente, Cartaxo, Seixal, Alenquer, Loures, Sintra, Arruda, Odivelas e Azambuja – para onde os transporta diariamente. “Só em combustível gastamos 5 mil euros por mês”, constata o responsável.

Os 70 mil euros mensais que a Segurança Social transfere para a instituição, mais os oito mil disponibilizados pelo Ministério da Educação, não chegam para prestar um serviço de qualidade garantindo ao mesmo tempo o equilíbrio das contas. Mesmo com um apoio anual da Câmara de Vila Franca de 40 mil euros. “Por mês só 15 mil euros são para pagar à segurança social”, observa Júlio dos Santos, que confessa que não entende como é que uma instituição do género pode ser sobrecarregada com este tipo de encargos.

A empresa quer contactar pequenas, médias e grandes empresas dos concelhos onde a instituição tem utentes. É o caso de Loures, onde residem cerca de 30 por cento da população da instituição.

O responsável já fez as contas e acredita que é possível superar as dificuldades, caso arranjem 500 a 600 sócios que se disponibilizem a pagar uma quota mensal de 50 euros. Uma meta que só será possível atingir com a intervenção da autarquia de Vila Franca de Xira.

A situação financeira da instituição agravou-se sobretudo depois da passagem para as novas instalações, em Dezembro de 2005. As despesas com pessoal, contas do gás, electricidade, aquecimento e os juros dos empréstimos bancários perfazem a grande fatia da despesa. Os encargos inerentes ao projecto do edifício implicam também um valor mensal fixo de 22 mil euros.

As últimas despesas têm sido pagas com recurso a créditos bancários, mas o responsável teme que em breve a situação se torne insustentável. A direcção já marcou reuniões com a Secretaria de Estado da Segurança Social para pedir um reforço do apoio.

Júlio dos Santos sublinha que a instituição trata a deficiência de forma séria, recusando que os utentes ficam todo o dia fechados numa sala. “Tentamos integrá-los na realidade da vida. É quase um trabalho individual”, salienta o responsável, que admite que estão a pagar o preço da qualidade.

As novas instalações da Cercipóvoa custaram cerca de quatro milhões de euros e foram edificadas com apoio do Estado, da autarquia e do mecenato social. As antigas instalações da instituição, criada em 1977 com o objectivo de promover a educação, reabilitação, inserção e autonomia pessoal e social de pessoas portadoras de deficiência, eram pré-fabricadas o que não permitia o atendimento adequado.

A CerciPóvoa presta actualmente apoio especializado a mais de duas centenas de crianças, jovens e adultos oriundos de famílias destruturadas e carenciadas. A instituição funciona com valência de Unidade Residencial, Centro de Intervenção e Orientação Precoce, Centro de Apoio Sócio-Educativo e Centro de Apoio Ocupacional usados por pessoas portadoras de deficiência grave e profunda. O Atelier de Tempos Livres está aberto à comunidade e recebe 63 jovens ditos “normais” em idade escolar.

Jornalista: Ana Santiago

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