A peça “O Aqui”, da Companhia Integrada Multidisciplinar, juntou a 5 e 6 de Março no palco do Teatro de Almada bailarinos profissionais e portadores de paralisia cerebral numa “arena de olhares” que pretende conquistar um espaço de igualdade.
Ana Rita Barata, coreógrafa do espectáculo, explicou à Lusa que a peça é uma “arena de olhares”, construída a partir da história dos intérpretes que estão em palco: “Olhamos para as coisas tal e qual como elas são. Tão cruas, tão cruéis mas também tão doces quanto possam ser”, disse.
Este é, garante, um projecto despido de piedade e paternalismo, que pretende “fugir às modelações e encenações que a sociedade produz em torno dos cidadãos com necessidades especiais”.
O ponto de partida foi, por isso, a “absoluta igualdade, onde todos são matéria humana, feitos da mesma coisa, com os mesmos desejos, com os mesmos medos, com as mesmas formas de caminhar, uns mais tortos, outros menos”.
“Todos queremos gritar para a sociedade, e eles não são diferentes, são humanos. A deficiência é uma condição. Mas nós somos todos um pouco deficientes, à nossa maneira”, defende.
Em palco estiveram cinco bailarinos profissionais, sete portadores de deficiência motora do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian e da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, e dois técnicos especializados neste tipo de limitação.
Com o subtítulo “o tempo de nós, o tempo do mundo”, a peça, explica a coreógrafa, ilustra o tempo de 13 pessoas que estão em palco e que se encontraram durante um processo de trabalho de quatro meses, em que descobriram uma maneira de contar as suas histórias.
“Histórias - e gestos e olhares - que se baseiam nos seus próprios medos, o amor, o abandono, que falam sobre estar sozinho, estar acompanhado, sobre o confronto com o outro e sobre a ideia de um tempo que é mais vulnerável, mais inconspícuo”, acrescenta.
“O Aqui” quer também lançar um grito à sociedade e estabelecer com ela um diálogo: “Os 13 querem mostrar e explorar a limitação que cada ser humano se impõe a si próprio, seja ou não deficiente, e, sobretudo, provar que as limitações existem apenas na cabeça de cada um”.
A coordenação artística é da responsabilidade de Ana Rita Barata, Natália Luíza, João Gil e Pedro Sena Nunes.
A Companhia Integrada Multidisciplinar foi criada pela Associação Vo'Arte em parceria com Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa e o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian.
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