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A deficiência em vitamina D esta relaccionada com as exacerbações da inflamação na doença de Crohn, indica uma investigação da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, divulgada, em comunicado, pela Merck SHarp & Dohme (MSD). O estudo, publicado no Journal Of Nutrition, é pioneiro ao sugerir uma ligação entre a vitamina e o problema intestinal e abre portas para uma nova abordagem no conhecimento da patologia.

A investigação foi feita em laboratório, com ratinhos geneticamente modificados para desenvolverem a inflamação intestinal semelhante à da doença de Crohn. Parte dos animais recebeu uma alimentação pobre em vitamina D, enquanto à outra metade foram administradas doses suplementares da vitamina. O grupo que recebeu o suplemento teve uma melhoria dos sintomas em duas semanas, com tempos de inflamação mais reduzidos, e uma esperança média de vida maior.

“Este é um estudo indicativo que nos permite perspectivar de forma diferente os mecanismos de evolução da doença de Crohn e a forma como as propriedades anti-inflamatórias da vitamina D podem ter influência nestes doentes. Abre uma nova perspectiva em torno de eventuais alternativas de apoio terapêutico”, explica Francisco Portela, Presidente do Grupo de Estudos de Doença Inflamatória Intestinal (GEDII).

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica de causa desconhecida que afecta o tubo digestivo, sobretudo o intestino delgado. Estima-se que afecte mais de 7000 pessoas em Portugal. Os sintomas variam, incluindo dor abdominal, diarreia, hemorragia rectal, perda de peso e febre. Não tem cura, mas existem terapêuticas biológicas muito eficazes, que provaram alterar o curso patologia, garantindo a cicatrização da mucosa intestinal e uma remissão livre de cortisona, isto é, o controlo dos sintomas.

Em 1999, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) aprovou o Remicader para o tratamento da Doença de Crohn activa, grave, em doentes que não respondessem favoravelmente após um ciclo completo e adequado de terapêutica com corticosteróide e/ou imunosupressor, ou que apresentassem intolerância ou contra-indicações a essas terapêuticas.

Na década passada, o Remicader tornou-se, também, na primeira terapêutica anti-TNF-alfa aprovada na Europa para o tratamento da Colite Ulcerosa, outra doença inflamatória do intestino.

Foi o primeiro medicamento anti-TNF-alfa a ser aprovado para três áreas terapêuticas diferentes: gastroenterologia, reumatologia e dermatologia. Remicader tem demonstrado uma ampla utilidade clínica nas indicações de Doença de Crohn, Artrite Reumatóide, Espondilite Anquilosante, Artrite Psoriática, Colite Ulcerosa, Doença de Crohn Pediátrica e Psoríase.

A sua segurança e eficácia foram bem estabelecidas nos ensaios clínicos realizados ao longo dos últimos 16 anos e através da experiência obtida com mais de um milhão de doentes tratados em todo o mundo. Remicader é a única terapêutica a ser administrada directamente por profissionais de saúde em unidades hospitalares. Consiste na realização de uma perfusão, com duas horas de duração, administrada num regime de indução (tratamento nas semanas 0, 2 e 6), seguido de um regime de manutenção em que as perfusões são administradas a cada 6 ou 8 semanas (dependendo da indicação terapêutica). Assim, os doentes a tomar efectuarão Remicader cerca de seis tratamentos anuais.
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