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Out
 
Vírus do herpes mostra-se promissor no tratamento do cancro da mama
 
Investigadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, nos EUA, relatam ter tratado com sucesso o cancro da mama triplo negativo (TNBC) em placas de Petri e em modelos de ratos com um método baseado num vírus herpes simples, avança o portal ISaúde.

O cancro da mama triplo negativo é um tipo de cancro da mama agressivo que pode somar 20% dos casos e que é responsável por um número desproporcional de mortes por cancro da mama, de acordo com os investigadores.

Além disso, a doença tem mais probabilidade de ocorrer em mulheres mais jovens (< 35 anos), especialmente se forem afro-americanas ou hispânicas.

Como estes tipos de tumores do cancro não expressam o receptor de estrogénio, o receptor de progesterona ou receptor HER-2, encontrado noutros tipos mais comuns, as terapias direccionadas mais recentes como o tamoxifeno e a herceptina são ineficazes contra esta doença.

"Os pacientes com cancro da mama triplo negativo estão em extrema necessidade de terapias específicas. Embora estes tumores respondam a uma variedade de quimioterapias, têm uma alta recorrência e uma grande taxa de metástase", disse Sepideh Gholami, uma investigadora do laboratório de Yuman Fong, no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center.

No estudo, Gholami e colegas examinaram linhagens de células de TNBC e infectaram-nas com um vírus simples do herpes chamado NV1066. Depois do tratamento com o vírus, mais de 90% de morte celular foi alcançado em todas as linhagens celulares dentro de uma semana. Além disso, os cientistas injectaram células TNBC nos ratos de laboratório. Depois de tratar os modelos de ratos com o vírus e de medir a mudança nos tumores depois de 20 dias, descobriram que os tumores tinham desaparecido bastante.
“Foi muito surpreendente ver uma resposta tão intensa. A diferença foi dramática porque algumas vezes podemos parar o crescimento do tumor e levar à regressão dele. Os nossos resultados são muito empolgantes porque talvez estejamos a trazer à tona uma abordagem que poderia explorar as vulnerabilidades únicas destas células específicas do cancro", disse Gholami.

Além disso, Gholami explicou que as células TNBC têm altos níveis de p-MAPK, uma proteína que promove o crescimento das células de cancro e que foi relatada como uma causa potencial de resistência às terapias convencionais actuais. Saber que o vírus do herpes ataca especificamente as células que têm super-expressão desta proteína é a razão pela qual ela resolveu testar este protocolo de tratamento. "Quando infectamos as células TNBC com o vírus do herpes e medimos os níveis de p-MAPK, o nível de proteína diminui com o tempo depois do tratamento com o vírus", disse Gholami.

A esperança é que os avanços na terapia viral oncolítica, que utiliza vírus projectados para atacar e destruir células do sangue enquanto poupa as células saudáveis, venha a permitir aos cientistas desenvolver estratégias mais eficientes para os cancros difíceis de tratar. Um vírus do herpes semelhante foi testado em ensaios clínicos contra o cancro da cabeça e de pescoço. Mas este é o primeiro estudo laboratorial a mostrar-se promissor no uso de terapias para tratar o TNBC.


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