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Abr
Doença de Raynaud (Reinô) é uma condição que afeta o fluxo sanguíneo nas extremidades do corpo humano — mãos e pés, assim como os dedos destes, nariz, lóbulos das orelhas — quando submetidos a uma mudança de temperatura inferior ou stress.

Foi nomeada por Maurice Raynaud (1843-1881): médico francês que descreveu tal enfermidade pela primeira vez em 1862.

Sintomas:

Quando paciente da doença de Raynaud expõem as extremidades do corpo à baixas temperaturas, a redução de oxigênio, torna a coloração da pele branca, empalidecida, além de fria e às vezes dormente. Quando o oxigênio é totalmente consumido pelas células, esgota-se, então a pele começa a adquirir uma coloração azulada ou roxa (chamada cianose). Estes eventos são episódicos—com duração variando para cada pessoa de acordo com a gravidade da doença --, sendo que ao terminar o episódio a área é aquecida, retornando o fluxo de sangue por vasodilatação e rubor novamente a pele, às vezes apresentando formigamento e inchaço.

Na variação mais comum da doença de Raynaud há três mudanças de cores presentes (branco ou empalidecido; azul, roxo ou cianose; e avermelhado ou rubor). Apesar de alguns paciente não apresentarem todas as fases de mudanças de cores.

É importante distinguir a doença de Raynaud do fenômeno de Raynaud. A doença de Raynaud (ou Raynaud primário) é diagnosticado quando os ocorrem sozinhos, não associado a outras doenças. Frequente em garotas de 13 a 19 anos de idade e mulheres jovens adultas. Esta forma de Raynaud é hereditária.

Prevenção:
Pacientes com a doença de Raynaud são aconselhados: a manter a área afetada aquecida (com luvas e meias); devem evitar tocar em objetos frios e ambientes com baixa temperatura; situações stressantes; substâncias que provocam a vasoconstrição, como a nicotina (do cigarro) ou a cafeína (do café, chá, etc.); e também fármacos que promovem a vasoconstrição, como descongestionantes nasais ou aqueles que contenham beta-bloqueadores.

Doença e fenómeno de Raynaud:

A doença e o fenómeno de Raynaud são afecções nas quais as artérias de pequeno calibre (arteríolas), geralmente dos dedos das mãos e dos pés, sofrem um espasmo e, em consequência, a pele torna-se pálida ou com manchas vermelhas e, posteriormente, azuis.

Utiliza-se o termo «doença de Raynaud» quando não há uma causa subjacente e o termo «fenómeno de Raynaud» quando se conhece uma causa. Às vezes, a causa subjacente não pode ser diagnosticada no início, mas, geralmente, torna-se evidente antes de dois anos. Entre 60 % e 90 % dos casos de doença de Raynaud verificam-se em mulheres jovens.

Causas
As causas possíveis do fenómeno de Raynaud são a esclerodermia, a artrite reumatóide, a aterosclerose, as perturbações nervosas, o hipotiroidismo, as feridas e as reacções a certos fármacos.

Há somente dois tipos desta doença: doença de Raynaud primária: é a mais comum e ocorre por si só.

Doença de Raynaud secundária: está associada a doenças das artérias, tais como: ateroesclerose; doença de Buerger; artrite reumatóide; síndrome de Sjogren; esclerodermia e lúpus eritematoso sistêmico.

Quando a doença de Raynaud secundária não é tratada pode acabar em gangrena das referidas extremidades.

Outras razões deste distúrbio podem ser: lesão repetitiva (especialmente vibrações como aquelas produzidas ao digitar ou tocar piano); overdose de certos medicamentos (beta-bloqueadores, quimioterápicos, remédios que contêm estrógeno, entre outros) e tabagismo. Esta síndrome surge, na maioria dos casos, mulheres entre 15 e 40 anos.

As causas deste distúrbio são desconhecidas, mas provavelmente estão relacionadas com uma anormalidade do sistema nervoso simpático. Acredita-se que a doença secundária de Raynaud é causada pela doença associada.

A supressão do fluxo sanguíneo faz com que os dedos, nariz e orelhas fiquem brancos e, em seguida, azuis. Quando o fluxo de sangue retorna às extremidades, tais áreas ficam avermelhadas e posteriormente voltam à cor normal. Estes episódios podem durar minutos ou até mesmo horas, e causam dor e formigamento.

As maneiras de amenizar os sintomas de um ataque são: mergulhar, o mais rápido possível, os dedos em água morna, evitar ambientes com temperaturas baixas, agasalhar-se, colocar as mãos em lugares mornos do corpo (axilas e abdome) e estimular o fluxo sanguíneo, movimentando os dedos e mexendo os braços em amplios círculos, por exemplo.

Quando as medidas anteriormente citadas falham, os medicamentos podem ajudar a aliviar os sintomas e até possíveis ulcerações cutâneas que tenham se formado. Neste caso o melhor é procurar o seu médico habitual que o encaminhará devidamente para um especialista nesta área.

Algumas pessoas com o fenómeno de Raynaud têm também enxaquecas, angina variante e aumento da pressão do sangue nos pulmões (hipertensão pulmonar). Estas associações sugerem que a causa dos espasmos arteriais pode ser a mesma em todas estas perturbações. Qualquer factor que estimule o sistema nervoso simpático, como a emoção ou a exposição ao frio, pode causar espasmos arteriais.

Sintomas e diagnóstico
O espasmo das pequenas artérias nos dedos das mãos e dos pés ocorre rapidamente e é, com muita frequência, desencadeado pela exposição ao frio. A duração pode oscilar entre minutos e horas. Os dedos das mãos e dos pés mostram palidez, disposta geralmente em forma de manchas.

Podem ver-se afectados um ou vários dedos, ou partes de um ou de mais dedos, mudando para uma cor vermelha e branca com manchas. Quando o episódio termina, as zonas afectadas podem estar mais rosadas que o normal ou azuladas. Os dedos da mão ou do pé não doem, mas são frequentes o entorpecimento e uma sensação de formigueiro e de ardor. O aquecimento das mãos ou dos pés restabelece o calor e a sensação normais.

No entanto, quando as pessoas têm um fenómeno de Raynaud com muito tempo de evolução (especialmente aquelas com esclerodermia), a pele dos dedos das mãos ou dos pés pode sofrer alterações permanentes (adquire um aspecto liso, brilhante e lustroso). Podem observar-se também pequenas feridas dolorosas nas cabeças dos dedos das mãos ou dos pés.

Para poder distinguir entre obstrução arterial e espasmo arterial efectuam-se exames de laboratório antes e depois da exposição ao frio.

Tratamento
O controlo da doença de Raynaud ligeira requer a protecção do torso, dos braços e das pernas contra o frio e tomar sedativos suaves.

Os fumadores devem abandonar este hábito, porque a nicotina estreita os vasos sanguíneos.

Num número reduzido de pessoas, as técnicas de relaxação podem reduzir os espasmos.

Para o fenómeno de Raynaud deve tratar-se a perturbação subjacente. Há farmacos que ajudam nesta condição e outros que a agravam, pelo que só um especialista a poderá tratar convenientemente.

O ajudas.pt e os seus voluntários apenas pretendem dar a conhecer alguma informação sobre doenças e deficiências, por vezes até pouco conhecidas ou com pouca informação disponivel, apenas a título informativo, e esta consulta não exclue a necessidade de recorrer a ajuda médica adequada.

Sandra Morato e ajudas.pt
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